.domingo, 5 de fevereiro de 2012
Evento de lançamento PB #30
.quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Entrevista com Nicolas Behr no Plástico Bolha
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Crescendo como bolha
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
o meu último desejo
eu queria mesmo era
poder morrer lá em Roma
só pra Ilze Scamparini
falar ao vivo o meu nome
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
CEP 20.000: Cariri, Plástico Bolha e Numa Ciro
.ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
QUARTA, 24 DE NOVEMBRO
20:30 H = 5 REAIS
O CARIRI É AQUI
PERFORMANCES DA MOSTRA SESC DO CARIRI
homenageando os 20 ANOS DO CEP 20.000
com:
ÂNGELA CÂMARA:
O Corvo, de E.A. Poe
DOMINGOS GUIMARAENS:
Capturando Sombras
LUCAS VIRIATO:
Banho de Língua
MARIANO MAROVATTO e PEDRO ROCHA:
Janota e Gomalina
CHACAL:
Minima Luz e Mago Magoo.
Vídeos e relatos da viagem.
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Relançamento da Antologia de Prosa Plástico Bolha
Com leituras de
Alice Sant’Anna, Chiara di Axox,
Marcela Sperandio Rosa e Lucas Viriato
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E ainda, especial para esse CEP Cariri, a ilustríssima presença da diva do Sertão: Numa Ciro!
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apoio Prefeitura do Rio
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
aldeia velha
despenco
como um barranco
aberto em beira de estrada
pelos pastos ressecados
meus desejos, os bois magros
nosso projeto, aquele ipê
derretendo amarelo
idéias que piscam no escuro
erodir por completo
aos urubus minha carcaça
que reste somente o ipê
amarelo como um farol
em nossas insustentáveis
pastagens
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Banho de Língua: quarta, no CEP 20.000!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Lendo "Homens do deserto" em Juiz de Fora
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Eco - Performances Poéticas
03 de junho de 2010
Juiz de Fora - MG
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
cheiro doce
uma loucura: você
estonteante cacho
de fruta madura
caída do pé
da mais pura
beleza
uma tontura: eu
hipnotizado inseto
que circula e
incerto
te sobrevoa
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Poesia em Juiz de Fora com os Sete Novos e eu!
.Esse é o flyer de divulgação do evento ECO – Performances Poéticas, que acontece há dois anos em Juiz de Fora. Fui convidado a participar por André Capile, meu colega de mestrado na PUC-Rio que organiza o evento. Foi uma curta, porém bela, viagem junto com meus amigos Os Sete Novos (que são três, a saber: Mariano Marovatto, Domingos Guimaraens e Augusto de Guimaraens Cavalcanti) – Alice Sant’Anna, apesar de ter entrado na divulgação, não pode ir. A cidade nos recebeu muito bem. No ECO, nos surpreendemos com um público grande e bastante interessado em poesia. André Capile (fala-se ‘Capilé’), Tiago Andrade e Laura Assis, organizadores do evento, nos recepcionaram com pompa de estado e, junto com a cachaça, tornaram a noite muito mais agradável. Lí dois poemas do Memórias Indianas (‘A dançarina indiana’ e ‘Cidadezinha qualquer’ – em homenagem à mineirice drummoniana) e mais dois do Retorno ao Oriente (‘Homens do deserto’ – sempre – e ‘Ruminâncias’ – poema que li pela primeira vez em público). Os Plástico Bolhas sumiram rápido e a Mary Blaigdfield ficou de coadjuvante, pois achei que ainda não era bem a hora dela ali. No dia seguinte, visitamos o Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, assim como a casa onde o autor nasceu (mas que estava fechada pelo feriado). O saldo foi para lá de positivo: agradeço à todos e viva Juiz de Fora!
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Os favoritos de Lucas Viriato de Medeiros
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TL – O que você está lendo agora?
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/tempo-de-letras/2010/05/25/LUCAS-VIRIATO-DE-MEDEIROS-LANCA-SEU-PRIMEIRO-LIVRO-DE-CONTOS.htm
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http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/tempodeletras/2010/05/31/os-favoritos-de-lucas-viriato-de-medeiros/
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sábado, 22 de maio de 2010
Lançamento do meu livro no CEP 20000!
.rua humaitá, 163 (fundos)
quarta – 26 / 05 – 20:30 – 5,00.
MARIANO MAROVATTO
E AS MARAVILHAS CONTEMPORÂNEAS
TEATRO DO NADA
CRISTINA FLORES + GABRIEL FOMM
gabriel alves - guitarra e violão
juliano pires - trombone e tuba
CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS vol. 2
(alice sant’anna / marília garcia / victor heringer
domingos guimarães / dimitri)
CHACAL
EM LANÇAMENTO:
LAURA LIUZZI / LUCAS VIRIATO
apoio Prefeitura Rio
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Contos de Mary Blaigdfield
.Contos de Mary Blaigfield
Lucas Viriato de Medeiros
Assunto: Contos
Formato: 13x20
Número de Páginas: 72
ISBN: 978-85-7577-652-0
Ano: 2010
Coleção: Rocinante
Lucas Viriato de Medeiros estreia na prosa com "Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias)". No seu terceiro livro, o escritor apresenta Mary, uma misteriosa agente de nome estranho e passado enigmático, com uma fobia inexplicável a uma substância química utilizada em larga escala em corantes, bebidas e alimentos. A escrita ágil de Lucas dá vida a personagens instigantes em situações inusitadas como na história de amor entre uma caixa de cereal e um pacote de uvas passa; o (des)encontro de duas almas gêmeas nos corredores de um supermercado; o caso do maníaco do balde e a sua incontrolável compulsão de atirar água das janelas do prédio. Em cada detalhe do cotidiano, a lente de Lucas Viriato de Medeiros revela um caleidoscópio de cores, tramas e possibilidades, numa obra em que não faltam humor e criatividade.
terça-feira, 11 de maio de 2010
As letras da geração 2000
quinta-feira, 6 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Desabrochar
a americana gorda
com seu largo maiô
estampado em flor
algo cai e ela abaixa
com a bunda abrindo-se
em pura primavera
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terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Minha estreia no CEP 20000!!! Apareçam lá!
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20 ANOS - 1990 / 2010
ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
RUA HUMAITÁ, 176 (2266 0896)
QUARTA, 28 / 04 – 20:30.
5 REAIS – PREÇO ÚNICO.
OS FABULOSOS
CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS
BEATRIZ BASTOS, ISMAR TIRELLI, LAURA LIUZZI, LUCAS VIRIATO E MARIANO MAROVATTO
BARTOLO
CRISTINA FLORES & GABRIEL FOMM
AUGUSTO GUIMARAENS
WALNEY COSTA
MOBILE PING-PONG
ARNALDO BRANDÃO, BETINA KOPP & TAVINHO PAES
AUTORES AUTOGRAFANDO
LIVROS DA 7 LETRAS EM PROMOÇÃO.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Lançamento de "Contos de Mary Blaigdfield"
Espero você!
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Shikára
Com a ajuda de um remo,
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
SAP
Essas línguas estrangeiras...
Sempre iguais, daqui à China!
Mas só versão brasileira
É que é mesmo Herbert Richers.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
com base em nova pesquisa
se acaso cansa do sofá
o gato quer que a gente
assista ele comer
mais uma vez
seu bocado de ração
no potinho posto
junto ao pé da mesa
(para não correr)
não dizem os doutores
“coma pouco diversas vezes
ao longo do dia”?
é o que dá deixar
as revistas semanais
abertas na mesa da sala:
nove em cada dez gatos
sabem ler
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
revolução franqueza
prometendo libertar o povo
agrupamo-nos em um movimento
questionamos tudo e todos
combatemos
decapitamos a monarquia
os clérigos, a burguesia
insatisfeitos, decapitamos
uns aos outros:
nossa mania mesmo
era fazer rolar cabeças
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
metamorfose maior
o que sabe
a sóbria borboleta
sobre os simbolismos
de sua vida?
lá no casulo
uma lagarta se farta
comendo folhas
dormindo profundo.
se finalmente abre as asas
voa como pode
acasala, põe ovos
sem nenhuma metáfora.
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sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
repartição samsara
foi um erro
não era a hora ainda.
disseram lá em cima
quando mandei-me para cá.
um formulário mal preenchido
um engano de digitação
lapsos da burocracia celeste
de tempos em tempos, acontece...
e agora? o que fazer?
um anjo torto respondeu:
— mande-o para o Brasil
que ninguém vai perceber.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
um distúrbio
pisando na
ponta dos pés
crianças correm
ligeiras pelo
casebre antigo
piso de tábuas
barulho chato
piano ao longe
ninguém vigia
um doce espera
lá na cozinha
mas vem alguém
e fecha a porta
porque você
não mora aqui
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
sorriso russo
não olhe para mim
com essa cara de moscou
esses olhos orloff
seu sorriso russo
sem mais montes urais
partindo-me em dois
causando o cáucaso
não invoque vladivostok
nem me toque
ingrato, ingrato
leningrado
isso não vai ficar assim
ainda saio da miséria
te largo na sibéria
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Aeroportuário
Esse aeroporto faz minh’alma doente
Um não-lugar que convalesce e estiola
E eu vou buscar um ópio que consola
O Oriente ao oriente do Oriente.
O ticket de bordo que me foi dado
Insiste em sumir-me — mas que cabeça! —
E, por mais que o procure até que adoeça
Já não o encontro para embarcar-me
É a mesma inépcia que me leva, então,
A roubar versos d’outro em minha escrita
Onde andará o pudor na poesia?
No próprio gozo da recriação?
A sala de embarque é uma coisa triste
Embora a gente se divirta às vezes,
Com best-sellers e eme-pê-treses
Já a minha sina é fazer pastiche.
Será que deverei permanecer
Aqui no Oriente, nesta Índia
Semelhante àquele filme do Spielberg
Num terminal obrigado a viver
Maldito aeroporto! Não há remédio.
Preciso do ticket neste momento
Voltar passo a passo em meu pensamento
Esse problema está ficando sério.
Procuro. Canso. Peço a São Longuinho.
Mas que peste! Tenho que me lembrar
Pra que fui visitar a Índia que há
Se Índia não há senão a alma em mim?
Pertenço a um gênero de brasileiros
Que depois de estar a Índia posta em versos
Ficam sem trabalho ou buscam um método
De repetir tudo mais uma vez.
“Leia o diabo do livro”, a gente apela
Mas nem eu leio os livros que me chegam
É sempre o Oriente, essa besteira
Que a gente trova, tenta tornar bela.
Estou no aeroporto à força! Desespero.
O avião já vai partir uma hora dessas
Preciso urgentemente encontrar nessa
Sala alguém que possa me socorrer.
Eis que o ticket como uma flor da Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro, pronto a lembrar-se
Agora sim, graças a Deus, enfim!
E estava o tempo todo na carteira!
Agora posso entrar nesse avião.
Ser um brâmane era a minha intenção,
Mas sem cabeça? Melhor ser guerreiro.
Ah, que bom que é estar de partida
Sem ter com um terrorista e seu estouro.
No reflexo do vidro estou mais louro
Deve ser esse forte sol da Índia.
Afivelo o cinto com fé e calma
Livre dessa situação confusa
Já o avião o firmamento cruza
E basta de paródias em minh’alma!
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Anabela
cinco horas
Hotel Chiado
ao lado da FNAC
último andar
um bar com vista
soberba sobre a cidade
sou tipicamente
portuguesa
cabelo castanho
escuro curto
vai ser fácil
me encontrar
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sábado, 22 de agosto de 2009
Contexto
Indissociável a vida
que está presente em toda escrita.
Pessoas, cidades, histórias
entre elas a poesia.
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sábado, 18 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
a uma libélula
sábado, 6 de junho de 2009
origamis urbanos
encontrar-me não é o pior
se faço consulta cartográfica
uma séria pergunta me assola
mas por que há de ser tão difícil
dobrar novamente um mapa?
questiono o quanto agüentarão
suas juntas até se soltarem
em quadrados avulsos — enfim
novo planejamento urbano
a cada vez que fico perdido
mais difícil é dobrar o mapa
como se uma cidade não se
comprimisse assim, impunemente
quarta-feira, 27 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Inspeção
.desenvolver meu próprio
programa nuclear?
Ontem, os inspetores da ONU
vieram à minha casa
em busca do plutônio.
Abriram gavetas
reviraram armários
interrogaram Maria
empurraram a geladeira
branca da minha cozinha
— e nada do plutônio.
Não deixei que tomassem fotos
já seria demais, não?
Mas tive de deixar que
inspecionassem os softwares
radiografassem o cão
— e nada do plutônio.
Por fim, deram-me um papel para assinar
e foram embora satisfeitos
(sem sequer dar-se conta que
sou eu mesmo
a bomba atômica).
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Poema Limpo
De natureza escorregadia,
Vem perfumado de camomila.
Traz sua essência de jasmim
Para o que há de intimo em mim.
Também sabe levantar a bruma,
Que no caso está mais para espuma.
A renovação em minhas mãos,
Que vai da minha testa ao meu tendão.
Adstringente, básico e jâmbico,
Totem em formato anatômico,
É o Deus da pele radiante
Abençoando com hidratante.
(Atenção também àquele lance:
Bastante cuidado com os menores
Caso haja contato com os olhos
É só lavar com água abundante.)
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domingo, 17 de maio de 2009
As rosas de mármore
a soerguer os pássaros
que sobrevoam o jardim.
Ao olhar de cá
ninguém diria que
é assim. Num estopim
de folhas e caules
impossibilita-se o colher.
Entre as plantas
brotam intenções:
fundar uma república distante,
desbravar outros orientes
(seria pedir demasiado?)
e em todas as outras flores
que poderia regalar-te.
Contudo, ai de nós,
minhas rosas são de mármore
termina de esculpi-las
com tua voz.
domingo, 10 de maio de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte V)
Aquele lugar não tinha nada a ver com ela — não tinha paciência com esses assuntos. Nem paciência, nem tempo. Era uma questão de prioridades. Todo o projeto estava em risco! Segredos inimagináveis estavam para ser revelados! Um grande pesadelo... E, no meio de toda a confusão, de todos os estresses dos últimos dias, ela ainda havia arrumado um espaço para ele na sua agenda.
— Corolla branco. É o da senhora?
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Mary Blaigdfield pegou o carro e pôs-se a caminho do local combinado. Dirigia com cuidado, pois suas unhas ainda não haviam secado. Sorte o carro ser automático, pois ela não dirigia muito bem. Afinal, ela não entendia nada sobre carros.
Sinal vermelho. Oportunidade para se olhar no espelho. A franja estava mais clara do que o resto do cabelo. “Que idéia foi essa de franja?” — pensou, irritada. Ela tentou, mas foi incapaz de se recordar de uma vez sequer que tenha saído do salão satisfeita.
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“Ah, Henri... Flores... O mesmo Henri de sempre...” — o coração de Mary se rendeu aos eternos encantos de um antigo amor. Todas as barreiras desmoronaram com aquele singelo gesto de delicadeza.
Parou o carro rente ao meio-fio para que Henri entrasse. Ele abriu a porta e, com um largo sorriso, sentou-se no banco do carona.
— Isto é para você, a mulher mais encantadora de todo o leste!
— Oh Henri! Não preci... — foi interrompida. Oh, meu Deus, o que era aquilo? Flores roxas! A botânica já vinha usando Mendolatium para a produção de novas flores havia algum tempo, mas mesmo assim ela se assustou — Henri acabou notando seu espanto.
— O que houve? Há algo de errado?
— Não — disse tentando parecer mais calma. — É que... Sou alérgica...
— É alérgica a flores? Não me lembrava disso.
— Não, não. A Mendolatium... Essas flores são produzidas a partir da mutação ao Mendolatium.
— Alérgica a Mendolatium? Desculpe... É que nunca imaginei que algo assim fosse possível. Você sabe, eles dizem por toda parte que...
— Eu sei, Henri. Eu sei o que eles dizem. Vamos deixar essas flores de lado e sair. Isso não é motivo para maiores aborrecimentos. — Mentira. Mary passaria o resto da noite aflita. Henri ressurgiu de muito longe no passado, e isso era magnífico. Mas com ele vinha o Mendolatium, que por sua vez a remetia ao Projeto, aos problemas, ao...
Aquele fluxo de idéias não poderia continuar. “Não nesta noite!” Ela precisava se controlar, respirar fundo e devagar. Era Henri que estava em jogo dessa vez.
— Pronto. Problema resolvido! — disse o sempre simpático homem, fechando a sua janela logo após ter jogado as flores para fora do carro. — Nada de Mendolatium da próxima vez!
— E para onde vamos? — Ela perguntou, mudando de assunto.
— Eu fiz uma reserva para nós no Côté D´Olegan Bistrô. Aposto que devem ter muitas opções sem Mendolatium — disse sorridente, repetindo a piada.
“Henri, chega, por favor...” — pensou, agora se esforçando ainda menos pelo sorriso.
— Então vamos. — disse, dando a partida, antes que ele começasse a pensar em uma nova frase com a palavra Mendolatium.
Ela dirigia nervosa. O silêncio estava começando a se tornar um incômodo; aumentou um pouco o som, que tocava algum sucesso dos anos 70 (Não queria saber do passado). Foi Henri que quebrou o silêncio.
— E então, em que trabalha atualmente? Ainda confecciona jóias?
“Henri, Henri, será que você não dá uma dentro?”
Como ela falaria sobre seu trabalho? Que pergunta!! Parecia que Henri estava fazendo de propósito, alfinetando-a a cada fala. — mas não podia ser verdade. Só de imaginar que Henri poderia saber de algo já enfraquecia todo o seu corpo, fazendo-o tremer. Como ele poderia ter descoberto alguma coisa? Seria esse o real motivo do encontro? Ele estaria envolvido? Ela podia se lembrar de já ter conversado sobre ele com Larie, mas... Ela não sabia mais em quem podia confiar.
— Ultimamente não tenho trabalhado em nada; tirei uns dias pra mim mesma...
— Entendo. Eu continuo na mesma. Os negócios melhoraram por lá. Tio Ben pretende transformar a fazenda em um parque ecológico. Já imaginou aquele lugar repleto de crianças, de animais. Assim como um Jardim Zoológico. Já imaginou Mary? Um Jardim Zoológico?
“Não é possível! Não, Não, Não” — pensou. Coincidência ou não, cada assunto que Henri colocava em pauta era um trauma com o qual Mary teria que lidar em questões de segundos, antes de dar uma resposta ao menos aceitável. Improvável ele saber do incidente do Jardim Zoológico! Mas por que ela estava sendo obrigada a lidar com tudo aquilo novamente?
— Eu estive em um há pouco tempo. — pausa — Você pode me passar a minha bolsa, que está no banco de trás? Preciso de um cigarro...
— Você voltou a fumar? — perguntou Henri, surpreso, enquanto lhe entregava a bolsa.
— Há alguns dias. Tenho passado por momentos um pouco turbulentos.
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sábado, 21 de março de 2009
Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte IV)
Sim, finalmente Mary Blaigdfield aceitara que precisava de ajuda, qualquer tipo de ajuda. Todos haviam insistido muito que era necessário se tratar. Ela ainda podia lembrar-se de Larie Bofferman em sua sala como se estivesse acontecendo agora mesmo, seu rosto listrado de sobra e luz pela persiana: “A psiquiatra será totalmente paga pelo projeto, não se preocupe. Tentarei enquadrar você no caso dos feridos de guerra. Você sabe, Mary, com todos os benefícios que isso poderá representar para a sua aposentadoria...” Eles estavam insistindo para que ela se aposentasse! Mary, entendeu logo o que estava se passando e aceitou jogar o jogo deles. Era o melhor a fazer, até porque, ninguém melhor do que ela sabia qual a outra forma de ser tirada do baralho — nada muito agradável. Ele chegou a dizer que o projeto seria desativado, e que era melhor mesmo que ela aceitasse a proposta da “licença médica” antes das demissões em massa e transferências. “Com a volta dos Democratas ao poder a nossa verba não está mais garantida” Nossa verba, nossa verba...
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte III)
Não, certamente a jaula dos leões não era a que mais a interessava. E havia tantas coisas interessantes para serem vistas ali. “Onde será o setor dos répteis?”, pensou olhando para uma placa. Ficou examinando.
“Você está aqui.”
“Não, quem está aí é essa bola amarela. Eu estou aqui, em frente à placa!”
Não eram somente os leões que a incomodavam, o didatismo das placas de informações também.
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Era verdade. Ultimamente ela não andava nada bem. Também pudera, com as coisas caminhando daquela maneira. O tempo era cada vez mais escasso, e o seu segredo estava se espalhando. Não era à toa que estava estressada. Daí o motivo desse passeio dominical: pura e simplesmente relaxar.
Mas a notícia estava se espalhando. Ela podia sentir. E o fato de ela não poder fazer nada, de ser obrigada a relaxar no meio disso tudo, a deixava ainda mais angustiada.
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“Todos são instrumentos! Todos!” Ela podia se lembrar exatamente de quando ouviu isso pela primeira vez, havia dez anos. Ela nunca tinha concordado com aquilo. Nunca foi a favor de envolver inocentes, que nada tinham a ver com o projeto.
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Um grito estridente soou para ela como uma lança no peito de um guerreiro já convalescido. Papagaios! Ela não precisava de mais isso: papagaios estridentes gritando no seu ouvido.
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— Eu sei! Crupac! Eu sei o que você fez no Kentucky! Crupac! Crupac!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte II)
Ela caminhou por entre as mesas até chegar no seu cantinho preferido, sua mesa de sempre, e se deparar com uns estrangeiros ali sentados. Maldita imigração, maldita globalização — pensou, nervosa. Caminhou até o outro canto do Café e sentou-se em uma mesa qualquer.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte I)
— Nada como uma boa água fresca para lavar as mãos, não? — disse ela em voz alta.
— É, de fato, a água corrente retirará a maioria das impurezas das suas mãos. Se lavar com sabão, então exterminará a maioria dos micróbios e dos outros microorganismos. Mas, não pense que está cem por cento segura apenas por estar lavando as mãos... Muitas coisas resistem facilmente a uma simples lavada de mãos...
quarta-feira, 4 de março de 2009
O sábio Kindâma
a Walter Santa-Helena
I
Vinha o Rei Pându
feliz pelos campos
de flores cheirosas,
pois a primavera
cobria as montanhas.
Brilhantes botões
amarelos, onde
voavam abelhas
pretas. Atmosfera
fresca: sol e brisa.
Mádri, sua jovem
esposa que ia
ali adiante
com o sári de seda
(gentil, balançando)
cantava baixinho
só para si mesma
e, de vez em quando,
parava e colhia
uma flor, sorrindo.
O sol quente brilhou
bem por detrás dela,
no que o rei pensou:
“Mas como ela é bela!
E eu não posso tê-la...”
II
Ele aproximou-se,
e ela sorriu –
sua silhueta
era graciosa
contra a luz do sol.
Brotou de repente
uma sensação
de causa evidente:
já fazia anos
que a abraçara.
Deixando cair
no chão os legumes
que colheram juntos,
foi rumo à esposa
em grande alvoroço.
Imediatamente,
Mádri intuiu
os seus sentimentos.
Notando o desejo,
ela teve medo.
“Rei”, tentou dizer,
“controle a mente
se quiser viver!”
Levantou o braço,
fez não com a cabeça.
III
Porém o Rei Pându
ignorou de todo
aqueles avisos
e foi como um louco
ao não-permitido.
Abaixando os braços
abertos de Mádri,
ele os colocou
ao redor do próprio
corpo, com malícia.
E, desesperada-
mente, a princesa
tentou se livrar
dos braços do Rei
que, tomado, ria.
Caindo na grama
macia, os dois
sentiram-se livres,
vivos e sagrados,
assim como os bois.
A princesa presa
em seus braços firmes.
Ele a apertava
forte contra o solo.
Boca atrás de boca.
IV
De súbito, ele
sentiu em seu peito
uma dor terrível.
Tossindo sem ar –
um grito abafado.
Com Mádri ao lado,
Rei Pându deu seu
último suspiro
e então morreu,
deixando essa vida.
“Oh!”, Mádri gritava.
Também soluçava,
não podia crer.
Em vão balançava
o corpo do Rei.
Era muito tarde
para qualquer coisa:
era a maldição
do sábio que tinha,
enfim, se cumprido.
Tentar procriar
estava proibido,
o Rei muito bem
que sabia disso
(mas não deu ouvidos).
V
Muitos anos antes,
caçando entre as árvores,
Rei Pându flechara
acidentalmente
o sábio Kindâma
que tinha tomado
forma de um veado
e ia gerar
um filho na esposa.
Para libertar
Pându de seu karma,
O sábio disse ao
Rei que se algum dia
tentasse ter filhos,
ele morreria.
Foi por isso que
ele decidiu
nunca fazer sexo,
viver uma vida
como a dos ascetas.
É essa a história
do Rei que partiu
deixando para trás
suas duas esposas
e os seus cinco filhos.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
EX
Quadro?
Esquadro!
(Quesito esquisito)
Preguiça?
Espreguiça!
(Mero esmero)
Mola?
Esmola!
Marido: ex-marido.
Mulher: ex-mulher.
Ta dual?
Estadual!
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Gráfico
Língua Afiada
Ah, mosquinha...
Ah, mosquinha...
Papou mosca.
Lagartixa...
Lagartixa...
Papou mosquinha.
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A idéia de Arthur
Ela chegou à cabeça de Arthur na tarde de um dia chuvoso. Ele certamente deveria ter reunido os pré-requisitos para o seu aparecimento. Estava relaxado, havia estudado bastante, tinha consumido todos os elementos necessários para a sua formação. Era uma questão de tempo: com tudo ali na sua cabeça, uma hora, o seu inconsciente resolveria abrir espaço para ela, a magnífica idéia que mudaria o mundo.
Quando Artur se deu conta pela primeira vez que tinha tido uma idéia daquele tipo se assustou. Não era coisa comum de se ter assim a qualquer hora. “Tenho que botar isso no papel” — pensou. E se pôs a procurar uma folha em branco e uma caneta.
“Trrrriiiiimmmm”.
Toca o telefone. Era Amanda, a namorada de Artur. Conversa, desentendimento, reconciliação. O que ele tava fazendo mesmo? Bem, era melhor tomar um banho porque em pouco tempo ele deveria estar na casa da namorada.
Arthur adorava massagear seus cabelos cheios de espuma. Ele achava aquilo relaxante. Realmente aquele ato devia estimular o pensamento do rapaz, pois, naquele momento, a idéia retornou com toda força à sua mente.
Era isso que ele estava indo fazer quando o telefone tocou! Mas, naquele momento, com seu corpo repleto de espuma, seria impossível anotar qualquer coisa que lhe passasse pela cabeça.
Ele estava se enxugando quando o telefone tocou novamente. Amanda já estava pronta. É, ele sempre perdia a hora lavando o cabelo e, agora, só lhe restavam quinze minutos para estar na frente do prédio da namorada.
Apressou-se, mas foi inútil. Ouviu reclamações quanto ao atraso.
Foram assistir a um filme bobo, e comeram em um local igualmente bobo. No fundo, formavam um casal um pouco bobo.
Chegaram tarde em casa. Amanda dormiu na casa de Arthur esta noite. Antes de dormir, a idéia que estava em sua cabeça, foi em que ele prestou menos atenção: Amanda era bonita e encantadora.
Mas a idéia era não só muito boa como persistente, pois continuou ali, na cabeça de Artur, durante toda a noite. Levantar? Estava tão confortável ali na cama. O corpo de Amanda o esquentava do frio do ar-condicionado e os travesseiros já estavam posicionados da maneira que ele gostava. A idéia podia esperar até amanhã.
Não, ela não podia. Naquela madrugada a idéia se irritou com Arthur e foi embora. Rumou para a cabeça de outro que tivesse a coragem, ou a disposição de botá-la em prática.
















