quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

LANÇAMENTO DE "BLUE", DE LUCAS VIRIATO NO CEP 20.000


Convido a todos para o lançamento do meu novo livro "Blue". Ele será apresentado dentro do CEP 20.000, palco profano da poesia carioca. Além de poder conferir o livro artesanal, será possível ouvir a leitura de alguns poemas dele e dos livros anteriores desta série: "Curtos e curtíssimos" e "Corpo pouco". Todos os livros estarão à venda por R$ 5,00!

Agradeço muito a Alexandre Bruno Tinelli, Helena Martins, Marilena Moraes, Mariana Dias, Patrícia Carneiro, Santiago Perlingeiro e mestre Chacal!

Espero vocês!



LANÇAMENTO DE BLUE
De Lucas Viriato
16 de dezembro de 2015, a partir das 19:30
R$ 5,00 (aceita cartões)


CEP 20000
Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163, Humaitá, Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 2535-3846

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sábados de setembro: Poesia Agora em São Paulo



Os sábados de setembro estão mais do que especiais no palco da exposição Poesia Agora, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Alegria pura poder ser participar e ser um instrumento para a realização deste grande projeto. Um agradecimento especial para todos os envolvidos. Espero vocês lá!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As plantas


devagar e contínuas
amarelam e morrem
sem bulir contigo

domingo, 26 de julho de 2015

Poesia Agora: sábados de encontro no museu!



Os sábados de sarau da exposição Poesia Agora estão imperdíveis. Está sendo uma enorme alegria realizar este projeto repleto de encontros. Participe conosco no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

POESIA AGORA NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA, EM SÃO PAULO!



É com toda a alegria que convido aos amigos, parceiros de projeto e todos os poetas e amantes da palavra para a exposição Poesia Agora, no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. Projeto que tive a honra de ser o curador e que chega como uma evolução da uma década de trabalho no Plástico Bolha, unindo autores de todo o Brasil em um encontro inesquecível de poéticas e poetas.

sábado, 23 de maio de 2015

Auspício


Hoje, me disse que havia visto aves voando no céu.

Algumas coisas perguntei, ou quis ter perguntado, já não sei muito bem:
1) De que cor eram esses pássaros? Era possível identificar sua espécie?
2) Qual o número exato do bando?
3) Estavam agrupados? De que modo? Havia pontos fora da linha?
4) Traziam algo no bico? Comeram? Cantaram?
5) Foi possível ver o seu pouso? Por quanto tempo puderam ser vistos?
6) A que hora do dia foram avistados? Co-incidiram com o crepúsculo, com a aurora?
7) Para que lado voavam na sua visão? Esquerda ou direita? Para cima ou para baixo?
8) Para que direção voavam na visão do planeta? Norte, sul, leste, oeste?
9) Alteraram sua rota conforme o voo? Plainavam ou batiam as azas?
10) Vinham? Iam? Ou (nunca) por acaso foi uma passagem totalmente paralela?

Ora, não me diga ter visto o voo das aves no céu.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Antologia de poesia Plástico Bolha



A Antologia de poesia Plástico Bolha acaba de sair! Após um trabalho de anos, finalmente esse projeto sai da gaveta e vê a luz do dia. São 73 poemas de 73 poetas, todos que já passaram pelas páginas do jornal. A seleção é, no fundo, um índice de poetas vivos, uma breve compilação do que está sendo produzido nesse início de milênio. Fico muito feliz do livro estar saindo pela OrganoGrama, minha nova editora que, tenho certeza, ainda dará muitas alegrias!

segunda-feira, 10 de março de 2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Poema no blog do Ricardo Noblat


Hoje, tive a alegria de ver um poema meu publicado no blog do Ricardo Noblat. É o "Homens do Deserto", do meu segundo livro sobre a Índia, Retorno ao Oriente (7Letras, 2008) e que acho que deve representar bem o marasmo de Brasília num janeiro quente como esses. Além da honra pelo fato do Blog do Noblat ser super prestigiado, fico especialmente contente pelo fato do Noblat ser uma das vozes do jornalismo que de verdade eu admiro. Um agradecimento especial também ao Pedro Lago. Confiram o poema no link abaixo:

Homens do Deserto no Blog do Noblat:
http://moglobo.globo.com/blogs/blog.asp?blg=noblat&cod_post=522045

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

La ascensorista


la primera vez que vi a teresa
fue hoy por la mañana cuando
bajé en el ascensor

cuando vi a teresa otra vez
fue hoy por la tarde cuando
subí en el ascensor

no vi nada la vez tercera
bajé por lá escalera



Esta é a versão em espanhol do poema "A ascensorista", do livro "Corpo Pouco", de 2012, e que está publicada na coletânea bilíngue "Muestras", de 2013, feita especialmente para os hermanos latinos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Painel do conto brasileiro


Ano passado, meu livro "Contos de Mary Blaigdfield — a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias)" foi resenhado por Lourenço Cazzaré na revista Rascunho. Posto aqui o trecho sobre o livro e o link para a matéria:

Contos de Mary Blaigdfield — A mulher que não queria falar sobre o Kentucky (7Letras), de Lucas Viriato

São cinco as histórias da misteriosa e histérica Mary Blaigdfield, que se recusa terminantemente a falar sobre o que aconteceu no Kentucky. Numa delas, Mary é surpreendida, no zoológico, por um papagaio que lhe diz que sabe exatamente o que houve por lá. Entre as aventuras de Mary, estão oito contos. Divertidos, como Amor de armário, que narra o amor entre uma caixa de cereais e um pacote de uvas passa. Ou que brincam com o absurdo, como Faxina geral. Mas o melhor texto do jovem Lucas Viriato de Medeiros (nascido em 1984 no Rio de Janeiro) talvez seja o rocambolesco 14.100, no qual desvendamos o mistério do vândalo que joga baldes de água na varanda do edifício onde mora.


http://rascunho.gazetadopovo.com.br/painel-do-conto-brasileiro/

domingo, 1 de dezembro de 2013

Encontro na Biblioteca da Farani






Ontem eu e o Jornal Plástico Bolha estivemos na Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis, no final da Rua Farani, participando de um debate sobre a difusão da leitura, da escrita e da poesia pela cidade. Líderes culturais de diversas partes da cidade contaram suas experiências e pudemos trocar muitas ideias. Participaram comigo os poetas e amigos Domingos Guimaraens e Dado Amaral. Parabéns para a Raquel Chaves e o Gustavo Moura, que estão tocando esse belo projeto!

domingo, 20 de outubro de 2013

Encontro Internacional de Escritores na Colômbia



Em novembro, estarei novamente na Colômbia, país que me recebeu tão bem há um ano no XVI Festival Internacional de Poesia de Cartagena das Índias. Dessa vez, será para participar do II Encontro Internacional de Escritores de Facatativá, a convite da Corporación Cultural Hicha Guaia, entre 11 e 17 de novembro. Que seja tão bom quanto os outros festivais que participei nesse último ano. E viva a América Latina!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Corpo Pouco



Amanhã também será o lançamento de Corpo Pouco, um passeio poético-minimalista pelo corpo em um livrinho marginal. São 13 poemas curtos envolvendo a temática do corpo: o corpo que nasce, que muda, que sobra, o corpo que pifa, que morre, que falta. A apresentação é de Anelise Freitas, minha amiga de Juiz de Fora. São 250 exemplares produzidos e numerados por mim, no estilo do Curtos e Curtíssimos, meu último livreto independente. Novamente fiz a capa e Marilena Moraes fez a revisão. A edição será um presente para todos os que adquirirem um Muestras e não será vendida separadamente. Espero que gostem dessa produção caseira!


LANÇAMENTO DE MUESTRAS + CORPO POUCO
De Lucas Viriato 
27 de agosto, a partir das 18h
R$ 20,00 (aceita cartões)



Ettore Leblon
Rua. Conde Bernadotte 26, Lj 110 - Leblon, RJ



Muestras



Depois de um tempo sem lançamentos, convido os amigos a conferir meus novos livros: Muestras, uma coletânea bilíngue de meus textos em português e espanhol. O livro foi feito após a minha participação no XVI Festival Internacional de Cartagena de Índias, na Colômbia, em dezembro passado, e foi lançado em junho desse ano, durante o XVII Festival Internacional de Poetas de Zamora de Hidalgo, no México. Com versões nas duas línguas esse livro representa meu encontro poético com a América Latina, essa tal Índia Ocidental. A apresentação é da poeta espanhola Carmen Carmacho, o projeto gráfico e a arte de capa são assinados por Ingrid Bittar e a edição é da OrganoGrama Livros. O lançamento será amanhã, terça-feira, dia 27 de agosto, a partir das 18h, até tarde, no restaurante Ettore do Leblon. Espero que a ocasião seja também uma boa desculpa para rever os amigos e proporcionar o encontro. Até lá!


LANÇAMENTO DE MUESTRAS + CORPO POUCO
OrganoGrama Livros, 2013
De Lucas Viriato 
27 de agosto, a partir das 18h
R$ 20,00 (aceita cartões)


Ettore Leblon
Rua. Conde Bernadotte 26, Lj 110 - Leblon, RJ

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Plástico Bolha em São Paulo

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É com muita felicidade que parto amanhã com os amigos Isabella Pacheco, Camila Justino e Augusto Guimaraens Cavalcanti para o lançamento da mais nova edição do jornal Plástico Bolha em São Paulo. Uma fantástica parceria com a Casa das Rosas — Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura —, abriu a oportunidade para levar para a capital paulista as próximas edições do jornal, com direito a leitura de poemas da edição e bate-papo com os autores. Agradeço muito ao Prof. Frederico Barbosa e a todos da Casa das Rosas, assim como à Organização Social de Cultura POESIS e à Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Espero todos para essa noite que certamente ficará na história (pelo menos na minha, é claro!).

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

curtos e curtíssimos

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Este post é para falar do lançamento do meu mais novo livro: curtos e curtíssimos. Trata-se de uma edição caseira, feita por mim mesmo, que junta 13 micropoemas no estilo mimeógrafo. Finalmente consegui reunir em um só projeto poemas que tenho prontos já há alguns anos como "isabé", "língua afiada" e "a ascensorista". Para isso, tive a ajuda do grande amigo e colaborador Domingos Guimaraens, que já tinha feito coisas parecidas para Alice Sant'Anna e para o CEP 20.000. Ah, e falando nisso, o livrinho é dedicado ao Chacal e a Helena Martins, meus mestres e amigos, de quem eu admiro muito o jeito leve e divertido de se jogar na vida. Gostaria que esses curtos e curtíssimos, com suas 500 cópias numeradas, fossem parar nas mãos mais variadas e incentivassem as pessoas a brincarem com a linguagem elas também.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Labirinto Poético

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Este ano tive a grande alegria de ser convidado pela Prefeitura do Rio para realizar a curadoria de um sarau com poesia e musica todo último sábado do mês, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian. Nasceu assim o Labirinto Poético, que já está na quarta edição e se firma no calendário literário da cidade. No próximo sábado, entraremos numa nova fase, com tudo azul, e convidados mais do que especiais: Jonas Sá, Breno e Bráulio Coelho, Caio Carmacho e a Picareta Cultural, Canto Cego, Iogs, Pedro Zylber, Os Sete Novos, Revista Falafel e, como não podia faltar, o jornal Plástico Bolha. Queria agradecer muito à Lêda Fonseca, Raquel Chaves Vidal, Carla Rodrigues, Robson Outeiro, Isabella Pacheco e todos os que trabalham comigo para que o Labirinto Poético seja sempre um sucesso.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Novo Plástico Bolha na praça!

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É com muita alegria que aguardo a chegada, a qualquer momento, da nova edição do Plástico Bolha. Ansioso para folhear nas mãos essa edição mais que especial, toda feita com a ajuda dos amigos e leitores, meus e do jornal. A capa está uma beleza, obra do Angelo Abu, ilustrador, Bruna Mitrano, escritora, e Mariana Dias, nossa designer. Essa edição também vem com uma homenagem à Santuza Cambraia Naves, minha mestra e amiga querida, parceira de tantos Plásticos Bolhas. Envolvemos a palavras de muitas maneiras para fazer dessa uma das melhores edições do jornal até hoje. Em breve, ela estará também na sua mão!
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Evento de lançamento PB #30

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Lançamento da edição #30 do jornal Plástico Bolha! Quinta-feira, 09/02, 19:30, no espaço da editora Oito e meio, no Flamengo.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Entrevista com Nicolas Behr no Plástico Bolha

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Acaba de ser publicada no jornal Plástico Bolha #30 a entrevista que fiz com Nicolas Behr, o poeta de Braxília. Confiram!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Crescendo como bolha

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Matéria do caderno de bairro do jornal O Globo de 10 de Abril de 2011. Texto de Flora Rangel e fotos de Fernando Frazão.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

poeminha panamenho

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Eis o grande lance
deste istmo:
ir do Pacífico pro Atlântico
e do Atlântico
pro Pacífico.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

o meu último desejo

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eu queria mesmo era
poder morrer lá em Roma
só pra Ilze Scamparini
falar ao vivo o meu nome
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

CEP 20.000: Cariri, Plástico Bolha e Numa Ciro

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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

QUARTA, 24 DE NOVEMBRO

20:30 H = 5 REAIS

O CARIRI É AQUI

PERFORMANCES DA MOSTRA SESC DO CARIRI

homenageando os 20 ANOS DO CEP 20.000

com:

ÂNGELA CÂMARA:

O Corvo, de E.A. Poe

DOMINGOS GUIMARAENS:

Capturando Sombras

LUCAS VIRIATO:

Banho de Língua

MARIANO MAROVATTO e PEDRO ROCHA:

Janota e Gomalina

CHACAL:

Minima Luz e Mago Magoo.

Vídeos e relatos da viagem.

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Relançamento da Antologia de Prosa Plástico Bolha

Com leituras de

Alice Sant’Anna, Chiara di Axox,

Marcela Sperandio Rosa e Lucas Viriato

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E ainda, especial para esse CEP Cariri, a ilustríssima presença da diva do Sertão: Numa Ciro!

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apoio Prefeitura do Rio

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

aldeia velha

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despenco
como um barranco
aberto em beira de estrada
pelos pastos ressecados
meus desejos, os bois magros
nosso projeto, aquele ipê
derretendo amarelo
idéias que piscam no escuro
erodir por completo
aos urubus minha carcaça
que reste somente o ipê
amarelo como um farol
em nossas insustentáveis
pastagens
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Banho de Língua: quarta, no CEP 20.000!

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Evento que estou organizado com Antonio Mattoso e Isabel Wilker, onde leremos poemas em diversas línguas. O Banho de Língua é um quadro do Espaço Plásico Bolha, criado a convite do poeta Chacal como parte integrante das programações do tradicional CEP 20.000. Quem puder, apareça!
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Lendo "Homens do deserto" em Juiz de Fora

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Eco - Performances Poéticas

03 de junho de 2010

Juiz de Fora - MG

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

cheiro doce

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uma loucura: você
estonteante cacho
de fruta madura
caída do pé
da mais pura
beleza

uma tontura: eu
hipnotizado inseto
que circula e
incerto
te sobrevoa
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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Poesia em Juiz de Fora com os Sete Novos e eu!

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Esse é o flyer de divulgação do evento ECO – Performances Poéticas, que acontece há dois anos em Juiz de Fora. Fui convidado a participar por André Capile, meu colega de mestrado na PUC-Rio que organiza o evento. Foi uma curta, porém bela, viagem junto com meus amigos Os Sete Novos (que são três, a saber: Mariano Marovatto, Domingos Guimaraens e Augusto de Guimaraens Cavalcanti) – Alice Sant’Anna, apesar de ter entrado na divulgação, não pode ir. A cidade nos recebeu muito bem. No ECO, nos surpreendemos com um público grande e bastante interessado em poesia. André Capile (fala-se ‘Capilé’), Tiago Andrade e Laura Assis, organizadores do evento, nos recepcionaram com pompa de estado e, junto com a cachaça, tornaram a noite muito mais agradável. Lí dois poemas do Memórias Indianas (‘A dançarina indiana’ e ‘Cidadezinha qualquer’ – em homenagem à mineirice drummoniana) e mais dois do Retorno ao Oriente (‘Homens do deserto’ – sempre – e ‘Ruminâncias’ – poema que li pela primeira vez em público). Os Plástico Bolhas sumiram rápido e a Mary Blaigdfield ficou de coadjuvante, pois achei que ainda não era bem a hora dela ali. No dia seguinte, visitamos o Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, assim como a casa onde o autor nasceu (mas que estava fechada pelo feriado). O saldo foi para lá de positivo: agradeço à todos e viva Juiz de Fora!

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terça-feira, 1 de junho de 2010

Os favoritos de Lucas Viriato

seg, 31/05/10 por simone.magno categoria Os livros de minha vida
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O quadro esta semana é com o escritor carioca Lucas Viriato de Medeiros, de 26 anos, que está lançando seu terceiro livro, Contos de Mary Blaigdfield – A mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias) (7 Letras). Conversei com ele na semana passada e a entrevista foi ao ar no boletim TEMPO DE LETRAS da última terça-feira. Aqui, ele conta um pouco sobre suas preferências literárias.
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TL – Qual o primeiro livro que marcou sua vida?
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LVM – O primeiro livro que marcou a minha vida foi A limpeza de Teresa, de Sylvia Orthof, quando ainda era bem criança. Uma mulher com mania de limpeza sai limpando tudo o que vê pela frente, enchendo tudo de bolhas de sabão. A história de uma ideia que vai crescendo e crescendo sempre me instigou, desde essa época. Sem contar que o livro termina em Veneza, cidade nascida para mim na literatura, pois a descobri através desse livro. Veneza me encantou desde então; era incrível que esse lugar com seus canais ao invés de ruas realmente pudesse existir (e existe mesmo, eu fui conferir no ano passado).
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TL – Qual o livro que mais mexeu com você?
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LVM – Foi uma edição dupla de Libertinagem e Estrela da manhã, de Manuel Bandeira, que chegou às minhas mãos no início do primeiro grau. Foi com esse livro que descobri que poesia era uma coisa legal. O livro não chegou a me levar a escrever poesia, mas me chamou atenção para o que as palavras em “estado poético” podiam fazer. E as palavras nesse estado definitivamente fazem coisas que as palavras da linguagem “prosaica” não fazem. Foi Manuel Bandeira quem me abriu as portas da poesia.
.TL – O que você está lendo agora?
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LVM – Agora estou lendo O imitador de vozes, de Thomas Bernhard, que ganhei como presente de aniversário de um amigo. Está sendo muito interessante, pois ainda não conhecia esse autor, nascido na Holanda, mas que viveu na Áustria e morreu em 1989. O livro, editado aqui pela Companhia das Letras, é composto de uma série de micro-fragmentos narrativos com alto grau de humor e crueldade, em que, com frases enormes, são contadas pequenas histórias, sempre impactantes. É um livro para ler aos pouquinhos, para se deixar impressionar e ficar pensando após cada fragmento.
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http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/tempo-de-letras/2010/05/25/LUCAS-VIRIATO-DE-MEDEIROS-LANCA-SEU-PRIMEIRO-LIVRO-DE-CONTOS.htm
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http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/tempodeletras/2010/05/31/os-favoritos-de-lucas-viriato-de-medeiros/
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sábado, 22 de maio de 2010

Lançamento do meu livro no CEP 20000!

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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
rua humaitá, 163 (fundos)
quarta – 26 / 05 – 20:30 – 5,00.


MARIANO MAROVATTO
E AS MARAVILHAS CONTEMPORÂNEAS

TEATRO DO NADA

CRISTINA FLORES + GABRIEL FOMM
gabriel alves - guitarra e violão
gabriel damasceno - bateria e percussão
juliano pires - trombone e tuba

CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS vol. 2
(alice sant’anna / marília garcia / victor heringer
domingos guimarães / dimitri)

CHACAL

EM LANÇAMENTO:
LAURA LIUZZI / LUCAS VIRIATO

apoio Prefeitura Rio
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Contos de Mary Blaigdfield

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Contos de Mary Blaigfield
Lucas Viriato de Medeiros
Assunto: Contos
Formato: 13x20
Número de Páginas: 72
ISBN: 978-85-7577-652-0
Ano: 2010
Coleção: Rocinante
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Lucas Viriato de Medeiros estreia na prosa com "Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias)". No seu terceiro livro, o escritor apresenta Mary, uma misteriosa agente de nome estranho e passado enigmático, com uma fobia inexplicável a uma substância química utilizada em larga escala em corantes, bebidas e alimentos. A escrita ágil de Lucas dá vida a personagens instigantes em situações inusitadas como na história de amor entre uma caixa de cereal e um pacote de uvas passa; o (des)encontro de duas almas gêmeas nos corredores de um supermercado; o caso do maníaco do balde e a sua incontrolável compulsão de atirar água das janelas do prédio. Em cada detalhe do cotidiano, a lente de Lucas Viriato de Medeiros revela um caleidoscópio de cores, tramas e possibilidades, numa obra em que não faltam humor e criatividade.
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terça-feira, 11 de maio de 2010

As letras da geração 2000

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Certamente já foi parar em suas mãos algum exemplar do jornal Plástico Bolha, com textos da nova geração de escritores. O pai da criança literária é Lucas Viriato de Medeiros, que, lança, hoje, no Ettore do Leblon, seu terceiro livro, Contos de Mary Blaigdfield - a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias), pela 7Letras. O livro de contos foi concebido ainda na adolescência, (antes de Memórias indianas e Retorno ao Oriente), mas só agora ganhou o corpo final. “Minha primeira influência foi a norte-americana e, depois, com as viagens à Índia, acabei visitando temas mais espiritualizados, nem que fosse para desconstruí-los. Agora, pós Era Bush, retomei essa levada, dando atenção especial a cada palavra e cada vírgula. É um terceiro livro com gostinho de primeiro”, diz Lucas, sobre sua estreia na prosa. Dentre os 13 contos da obra, o autor acha a interseção no seu olhar minucioso sobre acontecimentos banais. Um dos textos, que já virou hit, conta a história de amor entre uma caixinha de uvas passas e a embalagem de Aveia Quaker. Own... “A leveza e o humor são traços marcantes da geração 2000. A variedade de formas de expressão também”, observa. E o Plástico Bolha? “A última edição saiu em dezembro, mas, este mês, retomo o ritmo. Em vez de investir na bolsa, aposto na literatura. É um projeto feito com paixão e prejuízo”, brinca o escritor. Em tempo: a linda capa de Mary... foi desenhada pelo artista plástico Barrão e Lucas faz lançamento especial do livro dia 26, no CEP 20.000.
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11/05/2010 - Por Heloisa Tolipan - Jornal do Brasil
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sábado, 1 de maio de 2010

Desabrochar

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a americana gorda
com seu largo maiô
estampado em flor

algo cai e ela abaixa
com a bunda abrindo-se
em pura primavera
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Minha estreia no CEP 20000!!! Apareçam lá!

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20 ANOS - 1990 / 2010

ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

RUA HUMAITÁ, 176 (2266 0896)

QUARTA, 28 / 04 – 20:30.

5 REAIS – PREÇO ÚNICO.

OS FABULOSOS

CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS

BEATRIZ BASTOS, ISMAR TIRELLI, LAURA LIUZZI, LUCAS VIRIATO E MARIANO MAROVATTO

BARTOLO

CRISTINA FLORES & GABRIEL FOMM

AUGUSTO GUIMARAENS

WALNEY COSTA

MOBILE PING-PONG

ARNALDO BRANDÃO, BETINA KOPP & TAVINHO PAES

AUTORES AUTOGRAFANDO

LIVROS DA 7 LETRAS EM PROMOÇÃO.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Lançamento de "Contos de Mary Blaigdfield"

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Vem aí o meu terceiro livro: Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias). São 13 contos, sendo cinco sobre esta misteriosa mulher de nome estranho e passado desconhecido. O livro foi editado pela 7Letras e representa minha estreia na prosa. A capa é assinada pelo artista plástico Barrão e a orelha ficou por conta do jornalista e poeta Ramon Mello. O lançamento será daqui a um mês, dia 11 de maio, a partir das 19h, no restaurante Ettore do Leblon, que fica na rua Conde de Bernadotte 26 .
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Espero você!
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Shikára

Em um terreno onde não
se sabe se água ou se chão,
vê-se um homem agachado
bem na pontinha da Shikára
panchú cobrindo o cangári.

Com a ajuda de um remo,
retira a água que penetra lá dentro.
Faz isso fumando um cigarro,
como se não se passasse nada.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SAP

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Essas línguas estrangeiras...
Sempre iguais, daqui à China!
Mas só versão brasileira
É que é mesmo Herbert Richers.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

com base em nova pesquisa

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se acaso cansa do sofá
o gato quer que a gente
assista ele comer
mais uma vez
seu bocado de ração
no potinho posto
junto ao pé da mesa
(para não correr)

não dizem os doutores
“coma pouco diversas vezes
ao longo do dia”?
é o que dá deixar
as revistas semanais
abertas na mesa da sala:
nove em cada dez gatos
sabem ler
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

revolução franqueza

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prometendo libertar o povo
agrupamo-nos em um movimento
questionamos tudo e todos
combatemos
decapitamos a monarquia
os clérigos, a burguesia
insatisfeitos, decapitamos
uns aos outros:
nossa mania mesmo
era fazer rolar cabeças
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

metamorfose maior

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o que sabe
a sóbria borboleta
sobre os simbolismos
de sua vida?
lá no casulo
uma lagarta se farta
comendo folhas
dormindo profundo.
se finalmente abre as asas
voa como pode
acasala, põe ovos
sem nenhuma metáfora.
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sábado, 31 de outubro de 2009

o nada

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virei-me do avesso
não tinha etiqueta
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

água farta

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era uma vez
um menino
que nasceu
junto ao mar
debaixo de chuva
e nunca viu
o sertão
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cancu

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Pênisula
The You
Can Can
Tãn-Tãn,
Léxico:

O furo
Cão destro
Eu conto
Do.

Não sou
Bruna
Da!
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

sorriso russo

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não olhe para mim
com essa cara de moscou
esses olhos orloff
seu sorriso russo
sem mais montes urais
partindo-me em dois
causando o cáucaso
não invoque vladivostok
nem me toque
ingrato, ingrato
leningrado
isso não vai ficar assim
ainda saio da miséria
te largo na sibéria
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Aeroportuário

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Esse aeroporto faz minh’alma doente
Um não-lugar que convalesce e estiola
E eu vou buscar um ópio que consola
O Oriente ao oriente do Oriente.

O ticket de bordo que me foi dado
Insiste em sumir-me — mas que cabeça! —
E, por mais que o procure até que adoeça
Já não o encontro para embarcar-me

É a mesma inépcia que me leva, então,
A roubar versos d’outro em minha escrita
Onde andará o pudor na poesia?
No próprio gozo da recriação?

A sala de embarque é uma coisa triste
Embora a gente se divirta às vezes,
Com best-sellers e eme-pê-treses
Já a minha sina é fazer pastiche.

Será que deverei permanecer
Aqui no Oriente, nesta Índia
Semelhante àquele filme do Spielberg
Num terminal obrigado a viver

Maldito aeroporto! Não há remédio.
Preciso do ticket neste momento
Voltar passo a passo em meu pensamento
Esse problema está ficando sério.

Procuro. Canso. Peço a São Longuinho.
Mas que peste! Tenho que me lembrar
Pra que fui visitar a Índia que há
Se Índia não há senão a alma em mim?

Pertenço a um gênero de brasileiros
Que depois de estar a Índia posta em versos
Ficam sem trabalho ou buscam um método
De repetir tudo mais uma vez.

“Leia o diabo do livro”, a gente apela
Mas nem eu leio os livros que me chegam
É sempre o Oriente, essa besteira
Que a gente trova, tenta tornar bela.

Estou no aeroporto à força! Desespero.
O avião já vai partir uma hora dessas
Preciso urgentemente encontrar nessa
Sala alguém que possa me socorrer.

Eis que o ticket como uma flor da Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro, pronto a lembrar-se
Agora sim, graças a Deus, enfim!

E estava o tempo todo na carteira!
Agora posso entrar nesse avião.
Ser um brâmane era a minha intenção,
Mas sem cabeça? Melhor ser guerreiro.

Ah, que bom que é estar de partida
Sem ter com um terrorista e seu estouro.
No reflexo do vidro estou mais louro
Deve ser esse forte sol da Índia.

Afivelo o cinto com fé e calma
Livre dessa situação confusa
Já o avião o firmamento cruza
E basta de paródias em minh’alma!
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sábado, 29 de agosto de 2009

Anabela

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cinco horas
Hotel Chiado
ao lado da FNAC
último andar
um bar com vista
soberba sobre a cidade

sou tipicamente
portuguesa
cabelo castanho
escuro curto
vai ser fácil
me encontrar
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sábado, 22 de agosto de 2009

Contexto

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Indissociável a vida
que está presente em toda escrita.
Pessoas, cidades, histórias
entre elas a poesia.
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sábado, 18 de julho de 2009

haicai prismático

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banho ao meio-dia
a água bate no corpo
respinga arco-íris
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

haicai gostoso

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..
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a caixa de bis
devorada sem demora
bolinhas azuis
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sábado, 27 de junho de 2009

Entrevista para Pilotis

(por Camila Justino - Março, 2009)
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domingo, 21 de junho de 2009

haicai de verão

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de infinitas lágrimas
e farelo de polvilho
são feitas as praias
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

a uma libélula


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a janela aberta
é mais que pretexto
para uma libélula
errática entrar
em casa. parece
um louco helicóptero
batendo no teto
ou de encontro ao vidro
da janela, onde
salpica beijinhos
ligeiros em seu
reflexo liberto
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sábado, 6 de junho de 2009

origamis urbanos

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ao explorar cidades estranhas
encontrar-me não é o pior
se faço consulta cartográfica
uma séria pergunta me assola

mas por que há de ser tão difícil
dobrar novamente um mapa?

questiono o quanto agüentarão
suas juntas até se soltarem

em quadrados avulsos — enfim
novo planejamento urbano
a cada vez que fico perdido

mais difícil é dobrar o mapa
como se uma cidade não se
comprimisse assim, impunemente
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Yôga

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De pé.
Tire um pé do chão.
Agora o outro.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Poema Limpo

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De natureza escorregadia,
Vem perfumado de camomila.
Traz sua essência de jasmim
Para o que há de intimo em mim.

Também sabe levantar a bruma,
Que no caso está mais para espuma.
A renovação em minhas mãos,
Que vai da minha testa ao meu tendão.

Adstringente, básico e jâmbico,
Totem em formato anatômico,
É o Deus da pele radiante
Abençoando com hidratante.

(Atenção também àquele lance:
Bastante cuidado com os menores
Caso haja contato com os olhos
É só lavar com água abundante.)
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domingo, 17 de maio de 2009

As rosas de mármore

..............................a Diderot
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Suave voz
a soerguer os pássaros
que sobrevoam o jardim.
Ao olhar de cá
ninguém diria ser assim.
Num estopim de folhas e caules
impossibilita-se o colher.
Entre as plantas
brotam intenções:
fundar uma república distante,
desbravar outros orientes
(seria pedir demasiado?)
Como há cores nessas rosas
em todas as flores
que desejo regalar-te.
Contudo, ai de nós,
minhas rosas são de mármore
termina de esculpi-las
com tua voz.
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte V)

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Cabelo novo. O visual ficou um pouco diferente. Para melhor, é claro. Mais feminina. Mas para isso teve de aturar três horas naquele lugar. Conversas que não a entretinham rondavam por todas as partes. Muitos olhos se entreolhavam nos espelhos. Um odor desagradável de cabelo queimado tomava conta do local. Gritinhos, barulho de secador, fofocas!

Aquele lugar não tinha nada a ver com ela — não tinha paciência com esses assuntos. Nem paciência, nem tempo. Era uma questão de prioridades. Todo o projeto estava em risco! Segredos inimagináveis estavam para ser revelados! Um grande pesadelo... E, no meio de toda a confusão, de todos os estresses dos últimos dias, ela ainda havia arrumado um espaço para ele na sua agenda.

— Corolla branco. É o da senhora?
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— Sim, obrigada.

Mary Blaigdfield pegou o carro e pôs-se a caminho do local combinado. Dirigia com cuidado, pois suas unhas ainda não haviam secado. Sorte o carro ser automático, pois ela não dirigia muito bem. Afinal, ela não entendia nada sobre carros.

Sinal vermelho. Oportunidade para se olhar no espelho. A franja estava mais clara do que o resto do cabelo. “Que idéia foi essa de franja?” — pensou, irritada. Ela tentou, mas foi incapaz de se recordar de uma vez sequer que tenha saído do salão satisfeita.
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Dirigindo por mais alguns minutos, refletiu sobre todos os acontecimentos, uma coisa acontecendo por cima da outra. Isso gerava uma angústia muito grande.
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Finalmente chegou ao prédio de Henri Havengard, que a esperava com um pequeno buquê de flores sob o braço esquerdo, junto ao corpo.

“Ah, Henri... Flores... O mesmo Henri de sempre...” — o coração de Mary se rendeu aos eternos encantos de um antigo amor. Todas as barreiras desmoronaram com aquele singelo gesto de delicadeza.

Parou o carro rente ao meio-fio para que Henri entrasse. Ele abriu a porta e, com um largo sorriso, sentou-se no banco do carona.

— Isto é para você, a mulher mais encantadora de todo o leste!

— Oh Henri! Não preci... — foi interrompida. Oh, meu Deus, o que era aquilo? Flores roxas! A botânica já vinha usando Mendolatium para a produção de novas flores havia algum tempo, mas mesmo assim ela se assustou — Henri acabou notando seu espanto.

— O que houve? Há algo de errado?

— Não — disse tentando parecer mais calma. — É que... Sou alérgica...

— É alérgica a flores? Não me lembrava disso.

— Não, não. A Mendolatium... Essas flores são produzidas a partir da mutação ao Mendolatium.

— Alérgica a Mendolatium? Desculpe... É que nunca imaginei que algo assim fosse possível. Você sabe, eles dizem por toda parte que...

— Eu sei, Henri. Eu sei o que eles dizem. Vamos deixar essas flores de lado e sair. Isso não é motivo para maiores aborrecimentos. — Mentira. Mary passaria o resto da noite aflita. Henri ressurgiu de muito longe no passado, e isso era magnífico. Mas com ele vinha o Mendolatium, que por sua vez a remetia ao Projeto, aos problemas, ao...

Aquele fluxo de idéias não poderia continuar. “Não nesta noite!” Ela precisava se controlar, respirar fundo e devagar. Era Henri que estava em jogo dessa vez.

— Pronto. Problema resolvido! — disse o sempre simpático homem, fechando a sua janela logo após ter jogado as flores para fora do carro. — Nada de Mendolatium da próxima vez!
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“Oh, Henri, por favor, pare de pronunciar essa palavra...” — pensou, esboçando um falso sorriso pela piada.

— E para onde vamos? — Ela perguntou, mudando de assunto.

— Eu fiz uma reserva para nós no Côté D´Olegan Bistrô. Aposto que devem ter muitas opções sem Mendolatium — disse sorridente, repetindo a piada.

“Henri, chega, por favor...” — pensou, agora se esforçando ainda menos pelo sorriso.

— Então vamos. — disse, dando a partida, antes que ele começasse a pensar em uma nova frase com a palavra Mendolatium.

Ela dirigia nervosa. O silêncio estava começando a se tornar um incômodo; aumentou um pouco o som, que tocava algum sucesso dos anos 70 (Não queria saber do passado). Foi Henri que quebrou o silêncio.

— E então, em que trabalha atualmente? Ainda confecciona jóias?

“Henri, Henri, será que você não dá uma dentro?”

Como ela falaria sobre seu trabalho? Que pergunta!! Parecia que Henri estava fazendo de propósito, alfinetando-a a cada fala. — mas não podia ser verdade. Só de imaginar que Henri poderia saber de algo já enfraquecia todo o seu corpo, fazendo-o tremer. Como ele poderia ter descoberto alguma coisa? Seria esse o real motivo do encontro? Ele estaria envolvido? Ela podia se lembrar de já ter conversado sobre ele com Larie, mas... Ela não sabia mais em quem podia confiar.

— Ultimamente não tenho trabalhado em nada; tirei uns dias pra mim mesma...

— Entendo. Eu continuo na mesma. Os negócios melhoraram por lá. Tio Ben pretende transformar a fazenda em um parque ecológico. Já imaginou aquele lugar repleto de crianças, de animais. Assim como um Jardim Zoológico. Já imaginou Mary? Um Jardim Zoológico?

“Não é possível! Não, Não, Não” — pensou. Coincidência ou não, cada assunto que Henri colocava em pauta era um trauma com o qual Mary teria que lidar em questões de segundos, antes de dar uma resposta ao menos aceitável. Improvável ele saber do incidente do Jardim Zoológico! Mas por que ela estava sendo obrigada a lidar com tudo aquilo novamente?

— Eu estive em um há pouco tempo. — pausa — Você pode me passar a minha bolsa, que está no banco de trás? Preciso de um cigarro...

— Você voltou a fumar? — perguntou Henri, surpreso, enquanto lhe entregava a bolsa.

— Há alguns dias. Tenho passado por momentos um pouco turbulentos.
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— Problemas?
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— De certa forma... Henri, querido, podemos ficar calados enquanto fumo esse cigarro?
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— Ahn? Claro. — respondeu ele, achando que havia errado em algo que havia dito. Não sabia ele que havia errado em tudo!
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Mary Blaigdfield abriu sua janela e acendeu o cigarro, tentando se acalmar. Henri Havengard não desviava o olhar. Ele estava com um certo ar de bobo, como de um cachorro que não entende o que fez de errado para desagradar o dono. Aqueles maravilhosos buracos no jardim não haviam agradado?
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Mary pensou muito, e sobre muitas coisas durante esse cigarro. Poderia ele realmente saber de tudo? Não seria a hora de largar tudo e fugir para algum país distante? Mas ela não era uma criminosa — Fora obrigada a participar daquilo tudo contra a sua vontade.
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E esse sujeito, com cara de idiota, que retornou do passado para lhe fazer toda a lista de perguntas inoportunas que somente as entidades divinas poderiam ter formulado!
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Em meio àquele silêncio — que em situações normais seria desconfortável, mas que para ela era a certeza da tranqüilidade — se podia ouvir somente algum hit dos 70 ao fundo, vindo das caixas de som do banco traseiro.
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De repente, Mary se desesperou ao ver que o filtro do cigarro estava próximo, e com ele chegaria a inevitável pergunta de Henri. Ela deu o último trago e jogou o cigarro pela janela.
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Henri se prepara para dizer algo.
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As mãos de Mary tremem ao volante. Ela já sabe o que ele vai dizer. “Oh não, não hoje...”
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— Mary...
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“Não pode estar acontecendo de novo...”
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— Mary, eu sei...
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“É impossível, é impossível. Hoje não, eu imploro...”
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— ... o que você fez...
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"Não pode ser..."
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— ... no cabelo! É essa franja! Eu estava reparando que ela está mais clara que o resto do seu cabelo. Você já usa esse penteado há muito tempo?
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Ufa, Mary! Essa foi por pouco, hein?
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Ela é Mary Blaigdfield, e ela não que falar sobre o... Sobre o... Vocês já entenderam.
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sábado, 21 de março de 2009

Contos de Mary Blaigdfield – a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (parte IV)

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A Dra. Sofia era realmente uma pessoa sofisticadíssima. Seu consultório parecia decorado de tal maneira que o paciente se sentia compelido a falar, a se abrir, a trabalhar as lembranças e emoções de forma tal, que o resultado era sempre revelador. Ela deve seguir o Feng Chui, ou alguma outra filosofia milenar de arrumação de móveis, pensava Mary Blaigdfield recostada no divã. A escolha dos quadros, das cores, o elefantinho com o traseiro para a porta, a abundância de flores, tudo parecia escolhido a dedo.
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Sim, finalmente Mary Blaigdfield aceitara que precisava de ajuda, qualquer tipo de ajuda. Todos haviam insistido muito que era necessário se tratar. Ela ainda podia lembrar-se de Larie Bofferman em sua sala como se estivesse acontecendo agora mesmo, seu rosto listrado de sobra e luz pela persiana: “A psiquiatra será totalmente paga pelo projeto, não se preocupe. Tentarei enquadrar você no caso dos feridos de guerra. Você sabe, Mary, com todos os benefícios que isso poderá representar para a sua aposentadoria...” Eles estavam insistindo para que ela se aposentasse! Mary, entendeu logo o que estava se passando e aceitou jogar o jogo deles. Era o melhor a fazer, até porque, ninguém melhor do que ela sabia qual a outra forma de ser tirada do baralho — nada muito agradável. Ele chegou a dizer que o projeto seria desativado, e que era melhor mesmo que ela aceitasse a proposta da “licença médica” antes das demissões em massa e transferências. “Com a volta dos Democratas ao poder a nossa verba não está mais garantida” Nossa verba, nossa verba...
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Durante todo seu cinema mental Mary manteve-se calada, com a Dra. Sofia sentada a sua frente, fitando-a calmamente. O combinado era que ela não precisava falar, se não quisesse... Às vezes a Dra. fazia perguntas, talvez para não deixar a sessão em branco. Mas isso só nos dias em que Mary estava especialmente desanimada. Não era o caso hoje.
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— Foi você mesma quem decorou a sala?
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A Dra. levantou as sobrancelhas e sorriu orgulhosa.
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— Sim, fui eu mesma. Gosta?
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— Sim, bastante. E olha que não é fácil agradar-me, mas aqui me sinto muito tranqüila...
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— Eu uso do Feng Chui.
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“Sabia!”
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— Ah, é mesmo? (Pequena pausa) Ah, a China...
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— O que é que tem a China?
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— Os chineses... Eles queriam roubar o projeto...
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— Roubar o projeto? Como assim?
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— “Roubar o projeto” é modo de dizer. Eles eram nossos maiores inimigos, isso sim. Queriam por que queriam a proto-fórmula do Mendolatium. Mas não conseguiram... Pelo menos não enquanto eu fui diretora do departamento de segurança e anti-espionagem. (Mais uma pequena pausa) Doutora, você tem certeza de que tudo aqui fica apenas entre nós duas?
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— Claro, faz parte da ética profissional, eu já lhe disse isso.
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— Dra. Sofia, você já conferiu se a sua casa não possui escutas telefônicas?
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— Srta. Blaigdfield, o que conversamos sobre o seu complexo de perseguição? Eu já lhe disse que não estou ligada a este “projeto governamental” de que você tanto fala. Nunca conheci nenhum dos homens que você menciona e não existe nenhuma câmera em meu consultório! Ou estabelecemos uma relação de confiança ou não poderei continuar o meu trabalho. Serei obrigada a te indicar para alguma colega.
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— Desculpe-me. É apenas porque sinto que tudo o que tenho a dizer é irrevelável, e pode custar até mesmo a sua vida. Você não sabe os perigos de saber demais...
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— Claro que sei. Eu sou uma psiquiatra doutorada, estudei bastante na vida. Mary, por acaso já ouviu falar em Prometeu?
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— Russo?
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— Não, grego. — após uma pequena pausa, a psiquiatra prosseguiu — Olha, deixe para lá... Vamos falar sobre o Kentucky.
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— Ahn?!?!?!
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— Por que o susto, você não é do Kentucky?
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— Eu não quero falar sobre o Kentucky...
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— E por quê? Tem algo a ver com o seu passado?
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— Eu já disse que não quero falar sobre o Kentucky.
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— Ok, não precisamos falar sobre o Kentucky. Por que não me conta mais um dos seus sonhos. Achei que da última vez a experiência foi positiva.
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— Sim, qualquer coisa. Mas acho que não tenho sonhado muito ultimamente.
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— Tente se lembrar, Mary.
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Mary fechou os olhos lentamente, tentando concentrar-se.
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— Tem um sonho, sim. Não sei se foi esta noite, ou há dias atrás.
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— Conte-me o sonho.
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— Eu estou em um carro.
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— Dirigindo?
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— Não, estou no banco de trás.
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— Quem está dirigindo?
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— Ninguém está dirigindo.
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— Ninguém?
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— Ninguém, o carro está caindo. Balança muito. Eu não consigo sair. Estou presa. Lá fora, tudo roxo. Para fora da janela do carro. Sim, roxo! Mendolatium! Estou em uma espécie de rio de Mendolatium, caindo. Afundando com meu carro. Sem ter como sair.
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— E não consegue alcançar o Mendolatium?
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— Acredite, Dra. Sofia, eu não inalaria Mendolatium nem em sonho.
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— Então não gosta de Mendolatium?
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— Nem um pouco.
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— Então o sonho é pior do que imaginei a primeira vista.
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— É?
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— Sim, fora do vidro do carro, não existia a possibilidade de salvação, mas sim uma situação ainda pior. Ainda teremos de entender melhor o porque de você associar isso ao Mendolatium.
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— Por motivos nada obscuros, doutora. As razões são concretas, e dizem respeito ao projeto.
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— Sim, sim, entendo. Falaremos mais sobre isso na sua próxima seção, o seu tempo terminou.
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— Graças! — disse baixinho.
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— Como?
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Gracias, é "obrigado" em espanhol.
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— Ah, fala espanhol? Dessa eu não sabia, Mary. Veja, continue tomando os medicamentos como eu receitei. Se por acaso acordar de madrugada suando novamente tome mais uma da pílula vermelha, e se as convulsões começarem aplique a injeção rápido. Qualquer coisa, você tem o meu celular.
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As duas se despediram, Dra. Sofia ainda abriu a porta da sala para Mary, que saiu agarrada à própria bolsa, descendo as escadas do consultório.
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Ela é Mary Blaigdfield, e ela não quer falar sobre o Kentucky.
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